Um em cada cinco adolescentes no Acre sofreu violência sexual

Cezar Negreiros

Aproximadamente 7,6% dos adolescentes na faixa etária dos 13 aos 17 anos revelaram que foram obrigados a ter relação sexual contra a vontade, foi o que apontou a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019 (PeNSE 2019) divulgada no dia de ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os casos de estupros foram informados por 9,9% das meninas, enquanto 5,2% dos meninos relataram o mesmo drama.

As escolas da rede pública despontaram com mais 7,7% dos casos e a rede privada correspondeu por 4,6% das ocorrências. Sendo que em 73,1% dos casos de relação sexual forçada, a vítima tinha apenas 13 anos ou menos quando ocorreu o abuso sexual, e 23,1% deste tipo de agressão partiu do namorado(a), 16,5% de outras pessoas da família, 22,9% por amigo (a), 22% das ocorrência por um desconhecido , 15,5 por outra pessoa e 12,2% por pai, mãe ou responsável 12,2%. 23,7% dos estudantes declaram que após serem abusad@s sexualmente, eles sentiram que a vida não valia a pena.

Violência sexual envolve namorados (as), familiares e amigos (as)

A PeNSE 2019 estima que o número de estudantes matriculados no Estado é de 62.196 alunos na faixa etária dos 13 a 17 anos. A rede pública de ensino responde por 59.318 (95,3%) dos alunos e a rede privada por 2.878 (4,6%). A população formada por escolares do sexo masculino foi de 30.539 (49,1%) e do sexo feminino 31.657 (50,9%).

O levantamento revelou que a violência sexual atinge uma em cada cinco meninas de 13 a 17 anos de idade. Cerca de 15,2% dos estudantes nessa faixa etária de 13 a 17 anos contaram que alguma vez na vida foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo contra a sua vontade. Sendo que esses tipos de abuso sexual foram bem mais frequentes entre as meninas que ficou em torno de 19,4%, mas os meninos ficaram na casa dos 10,8%. Neste quesito, a rede privada desponta com, 16,4% desse tipo de violência e a rede pública ficou com 15,1%. Os alunos da região Norte mostraram maior incidência desse tipo de violência (17,1%), com o maior percentual no Amapá (18,2%).

Em 2019, cerca de 43,8% dos estudantes de 13 a 17 anos revelaram que já tinha mantido relação sexual. Nas escolas da rede pública, esse percentual ficou em 45,0% e nos estabelecimentos de ensino da rede privada respondeu por 19,1%. A iniciação sexual por sexo mostrou que 50,8% dos meninos já tiveram relação sexual alguma vez, entre as meninas esse percentual cai para 37,1%. Entre os estudantes que já haviam tido uma relação sexual, cerca de 61,8% contaram que usaram camisinha em sua primeira vez. Nos casos de estudantes que já haviam iniciado a vida sexual, 61,8,3% relataram que usaram camisinha ou preservativo na sua primeira relação.

Preservativo

A pesquisa mostrou ainda que 38,8% dos escolares compraram a camisinha (seja em farmácias, mercados ou lojas) e 19,5% a obtiveram junto aos serviços de saúde, sendo que 22,3% dos casos foi o parceiro(a) que apresentou o preservativo. O levantamento apontou que 41,8% das adolescentes recorreram ao anticoncepcional como método contraceptivo (exclusive a camisinha) utilizado pela maioria dos escolares. A pílula do dia seguinte (21,0%) e os contraceptivos injetáveis (16,3%) foram a segunda e a terceira categoria mais utilizadas. Esses três métodos foram utilizados na última relação sexual por quase 79,1% dos adolescentes que já haviam tido uma relação sexual (anteriormente).

Em 2019, cerca de 42,9% das meninas de 13 a 17 anos disseram que após a relação sexual optaram pela pílula do dia seguinte alguma vez na vida. Incidência de gravidez em alunos da rede pública é quase três vezes mais alta. Entre as meninas de 13 a 17 anos que já haviam tido relação sexual, 12,8% ficaram grávidas alguma vez na vida. Em escolas da rede pública, essa proporção foi de 13,1%, enquanto entre as meninas da rede particular o percentual foi de apenas 0,5%. (Com informações da Assessoria do IBGE-Acre)