Seis acusados de assassinar jovem que não teve corpo achado no AC foram ouvidos em audiência

A primeira Vara do Tribunal de Juri, em rio Branco, ouviu nessa quarta-feira 6 dos 9 envolvidos na morte e esquartejamento de Késia Nascimento da Silva, ocorrido no ano passado. A jovem de 20 anos foi morta em 28 de janeiro quando foi julgada pelo tribunal do crime acusada de trair a facção PCC.

No banco do réus estavam, segundo a denúncia, os carrascos de Késia. As mulheres envolvidas: Camile Cristine de Souza Freitas, Ana Lúcia Fontenelle e uma terceira foragida, Amanda de Lima Moura foram até a casa da vítima e a levaram até a margem do rio Acre, onde seria julgada e morta pelos membros da facção.

A sentença da morte da jovem foi repassada por telefone por duas mulheres conhecidas como Juízas desse tipo de tribunal. A 3.300 quilômetros de distância, em São Paulo, Rita Rocha do Nascimento a Brenda e Vera lúcia Maques, repassaram todas as ordens para a execução.

A polícia paulista teve acesso as conversas telefônicas entre Brenda e os carrascos em Rio Branco, onde são passadas as coordenadas para matar, degolar e esquartejar Késia.

No primeiro momento, Brenda diz porque a vítima merece morrer. “Ela está sendo excluída por traição”, e mais adiante declara: “Arranca o pescoço dela”, logo vem a resposta do Acre: “Está arrancado”.

Késia ainda tenta pedir por sua vida: “Por favor não faz isso”, mas não adianta, a sua morte estava decretada e não haveria volta.

Durante a execução, Brenda acompanha tudo ao vivo pelo telefone.

As duas mulheres que comandaram o Tribunal do crime em São Paulo foram presas. A polícia do Acre conseguiu chegar a 6 dos 7 dos envolvidos no estado. Além das mulheres 4 homens participaram da execução: Thalysson Jesus da silva, João Vitor da Cunha Pereira, José Natanael Aquino Duarte e Moisés Inácio da silva.

Para o promotor que atua no caso, Carlos Pescador, as provas no processo, principalmente as conversas telefônicas tiram qualquer dúvida de como agem as organizações criminosas e os envolvidos diretamente nesse crime. “Temos todos os passos da execução da vìtima registrados nas ligações telefônicas. Além disso, alguns deles já confessaram em sede de delegacia”, falou.

Na audiência dessa quarta-feira não foi realizado o julgamento. As testemunhas e os réus foram ouvidos. O próximo passado é a representação da acusação e as teses de defesa. Com esse material a juíza determina a culpa ou não de cada um dos réus.