Peixes criados em cativeiro não representam ameaça

Cezar Negreiros

O engenheiro de pesca da Secretaria Estadual de Produção e Agronegócio (SEPA), Wallace Santos Batista disse que os peixes criados em cativeiro não têm nenhuma ligação com a síndrome de Haff registrada no estado do Amazonas. Esclareceu que o pescado criado em tanques de piscicultura e nos açudes não estão associados aos casos de rabdmiólise, mais popularmente conhecida pelo nome de “doença da urina preta”.

O engenheiro da SEPA observou que ‘verme do olho’ é um trematódeo digenético que ocorre naturalmente em peixes de água doce de diversas regiões do país, que pode ser encontrado no tucunaré, matrinxã, traíra, corvina, cará, jacundás, inclusive em outros pescados de rios e reservatórios, mas antecipou que não tem qualquer ligação com a síndrome de Haff. “Quando o pescado é submetido a tratamento térmico esses trematodeos são inviabilizados”, revelou.

Wallace destacou que existem parasitas de todos os tipos nos peixes, pois na água existem vários tipos de bactérias, fungos e parasitas e eles estão em interação no ambiente natural. Acrescentou que são larvas de grupos que precisam de mais de dois hospedeiros, que é muito comum que os pescados tenham esses tipos de parasitas. “Se houver manipulação e cozimento corretos do peixe, não a possibilidade de contaminação”, declarou.

Orientação

Ele citou uma nota da Associação dos Engenheiros de Pesca do Amazonas (AEP-AM) que orienta a população a consumir pescado de cativeiro durante esse surto de rabdmiólise, síndrome associada à “doença da urina preta”. Contou que até o momento não foi notificado nenhum caso da doença que tenha sido provocado por peixes procedentes de criadouros.

“A Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS) emitiu um comunicado esclarecendo que peixes criados em tanques de piscicultura não estão associados aos casos da doença da urina preta”, destacou.

Foram notificados mais seis novos casos suspeitos de rabdomiólise nos municípios de Maués (três casos), Urucurituba (dois casos) Parintins (um caso). Desde o surgimento do surto Haff, foram registradas 61 casos suspeitos em 10 municípios amazonenses. Estes casos estão assim distribuídos: Itacoatiara, com 37 casos e uma morte; Borba, Parintins, Maués, Silves, com quatro casos; Manaus, com três casos, Urucurituba, com dois casos e Manacapuru, Caapiranga e Autazes, com um caso.