Kelly Lacerda defende novo diagnóstico socioeconômico

Cezar Negreiros

A secretária Adjunta de Planejamento, Kelly Lacerda, participou da delegação acreana que realizou visita técnica ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG – CEDEPLAR, instituição ligada à UFMG, em Belo Horizonte, para negociar a elaboração de novo diagnóstico socioeconômico do Acre. Estiveram também na viagem o presidente do Tribunal de Contas, Ronald Polanco, que coordenou a visita, com a participação da Assembleia Legislativa e de representantes do Poder Executivo (Seplag e Sefaz).

Ela diz que a proposta é o diagnóstico econômico contemple a história recente do Acre, marcos sobre o processo de desenvolvimento regional e global, o papel das novas tecnologias no desenvolvimento, conceito de financiamento verde, dentre outros aspectos considerados relevantes ao diagnóstico.

Kelly Lacerda explica que o diagnóstico socioeconômico é o instrumento fundamental que antecede a elaboração do plano de desenvolvimento socioeconômico sustentável do Estado do Acre. “É preciso compreender as transformações territoriais, demográficas, as potencialidades produtivas, os desafios sociais e ambientais para que possamos propor ações eficientes que resultem no desenvolvimento do Estado”, salienta.

Secretária Adjunta de Planejamento, Kelly Lacerda

Para a secretária adjunta, a COP 26 afirma a necessidade premente dos países em desenvolvimento em realizar investimentos que primem pela conservação ambiental. “Mas isso precisa ser de forma sustentável e ser sustentável não é avaliar apenas pela ótica ambiental. Precisamos respeitar o meio ambiente mas oferecer dignidade às pessoas, envolver na análise, questões sociais, econômicas e culturais”, ressalta; Explica que o Acre é pioneiro na Região Norte na captação de recursos externos e que o relacionamento harmônico permite ter a confiança doa agentes externos.

Kelly acredita que organismos com o Banco Mundial e outros estariam interessados em investir no estado. “Temos tratativas em andamento junto à vários organismos internacionais. Não apenas o Banco Mundial que já é um parceiro do Estado assim como o BID e o REM/KFW mas também junto ao FONPLATA”. A secretária não acredita que eventuais reparos á posição do governo brasileiro assumida na COP possa ter impacto negativo nas tratativas.

“Tanto nas negociações internas como nas externas, os fatores analisados são ordinariamente técnicos como: a capacidade de pagamento, análise de risco, resultados esperados, impactos no desenvolvimento do Estado, integração dos investimentos entre outros. O Estado tem a oportunidade de defender o seu posicionamento junto aos órgãos reguladores e isso é levado em consideração. Quaisquer outros aspectos subjetivos não impactam na operação”, afirma.

Complementa dizendo que o Acre tem histórico do Acre com estas instituições, o que contribui de forma positiva. “Por outro lado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BD-NES tem ampliado as discussões na região amazônica na expectativa de conhecer a realidade local e fomentar o desenvolvimento de forma sustentável”, pondera.

Desta forma, o posicionamento do Estado do Acre quanto a eventuais condicionantes ambientais é sempre baseado em informações captadas nas ferramentas de monitoramento e gestão ambiental. “Isso nos dá a segurança de apresentar um discurso pautado de dados confiáveis e transparentes. Procuramos manter um alinhamento técnico acerca da nossa realidade e defender a partir dela a realização de investimentos que garantam as ações necessárias para preservação ambiental”, diz.

Prioridades

Kelly Lacerda avalia que o Acre, que completa em 2022 60 anos de emancipação, ainda é um estado novo, mas, talvez com o maior potencial de crescimento entre os estados da federação, pela pouca exploração da sua capacidade produtiva. Para ela, o governo tem como desafio buscar investidores que observem o Acre como uma oportunidade de expansão dos negócios. “A interligação terrestre com os demais estados brasileiros desponta como uma oportunidade de atração de investidores. A expectativa é alavancar a economia do Estado, que deixaria de importar produtos que possam ser produzidos localmente e passe a exportar o excedente”, projeta. E considera que o governo estadual deve aproveitar a importância do agronegócio no mercado econômico nacional para expandir a produção acreana.

“O estado tem se esforçado na captação de recursos que nos permitam investimentos em incorporação de tecnologias nas propriedades rurais, personalização dos produtos e aperfeiçoamento das práticas de produção. Mais do que isso, o desenvolvimento do agronegócio acreano depende de incentivos para a verticalização da produção, implantação da agricultura de baixo carbono, aperfeiçoamento genético animal e vegetal, potencialização da bovinocultura de corte, bovinocultura leiteira, suinocultura, avicultura e piscicultura”, afirma. E acredita que, de forma simultânea, há necessidade de investimentos na malha viária do estado, o que é essencial para o escoamento da produção.