Gladson domina o Progressistas, vence desafetos, acaba com candidatura Bocalom e consolida apoio à Socorro Neri

O governador Gladson Cameli provou ontem, ao fim de um dia tenso com várias variáveis tendendo para um lado e outro, que o jogo só acaba quando termina. Depois de muitas horas de discussões, de idas e vindas a respeito da possível saída de Gladson do Progressistas, de crise política e institucional, da divulgação de conversas constrangedoras é até do envolvimento da mãe do Governador, o saldo foi uma completa vitória das posições defendidas por Gladson Cameli. Ele não só permaneceu, como conquistou o completo domínio do Progressistas, reafirmou seu apoio à candidatura da prefeita Socorro Neri, preparou uma forte coalizão de sustentação e até definiu o vice na chapa de seus sonhos, o ex-deputado Ney Amorim representando o PP e lavando consigo os votos da fundamental Baixada do Sol e um importante recall de sua grande votação como candidato ao senado nas ultimas eleições.

Voltas e reviravoltas

O jogo político deu, ao longo do dia, voltas, reviravoltas e cambalhotas. De manhã, tão logo foram divulgadas as gravações feitas pelo presidente do diretório do PT na capital, pastor Reginaldo Ferreira, com agressões gratuitas e graves ao Governador, estava certo que o caldo havia em tornado e que Gladson Cameli deixaria o partido sem a realização da reunião marcada para a tarde de ontem. Uma possível carta de desfiliação chegou a ser rascunhada pelo Governador, com ajuda de assessores. Gladson chegou a dar declarações de que sairia do Progressista, mas sem definir outra opção partidária

Ao longo do dia, o governador não só reafirmou seu apoio à prefeita Socorro Neri, como participou com ela do lançamento de obras e do projeto de mudança de iluminação no Distrito Industrial. Governador e prefeita se mostraram em completa harmonia.

Enquanto isso a crise fervia no Progressistas. Primeiro, o partido tentava investigar e descobrir o nome de quem teria vazado os áudios comprometedores do pastor Reginaldo. Todos queriam saber quem seria o espião de Gladson na reunião em que o governador foi atacado. Não foi pouca coisa, foi um ataque duro e firme, que não mereceu contestação dos presentes. As gravações mostravam o pastor Reginaldo em franca oposição ao Governador, com agressões gratuitas.

 Ataques do pastor

Por exemplo, Reginaldo Ferreira disse: “Eu tenho que me imaginar como se eu fosse um ninja, para não cair nas armadilhas do Gladson o tempo todo”. Esta talvez tenha sido uma das declarações menos fortes. Reginaldo também afirmou que “a coisa chegou a um ponto que a candidatura do Progressista é inevitável, ela é vital. Quanto mais o Gladson se mostra voluntarioso, mais a direção do partido enxerga que a candidatura é imperativa. A gente quer que seja com ele, mas mesmo sem ele a candidatura é inevitável”.  Ou ainda: “Essa candidatura, diferente do Gladson, não vai se eleger só com promessa, sem se importar de dizer algo aqui e depois não cumprir. Esse é o fator Gladson. Não foi o outro que decepcionou a gente. Nós é que enxergamos expectativas elevadas na pessoa. O Gladson não passa de uma criança no corpo de um homem”. Reginaldo ainda afirmou que “A candidatura do Bocalom é questão de sobrevivência. O Gladson está muito bem, obrigado, com os olhos dele bonitos, com a fama de rico. Eu não costumo ver o dinheiro do Gladson. Esse tempo todo eu nunca vi o dinheiro do Gladson”.

Mesmo para quem discordava do governador dentro do partido, a divulgação provou que as declarações foram irresponsáveis e indefensáveis.

Virada de mesa

O vazamento foi uma das principais razões da virada de mesa e do jogo político. De imediato, aconteceu um processo dentro do Progressistas de defesa do governador e execração de seus desafetos. Deputados estaduais do partido lançaram um manifesto pedindo a permanência do governador, reconhecendo sua liderança e se comprometendo a seguir suas orientações.

Para piorar a situação dos críticos, dona Linda Cameli, mãe do governador e que tradicionalmente rebate as acusações contra o filho nas redes sociais, reagiu com muita força, desqualificando os adversários do Governador. Sobre o pastor Reginaldo e a Senadora Mailza, dona Linda disse nas redes que “são umas cobras venenosas prontas para dar o bote a qualquer hora. Esse senhor é o braço direito da senadora, que ganhou quatro anos de mandato de graça. Esse é o pagamento que estão dando”. Disse que o pastor não viu e nunca verá o dinheiro do governador, respondendo às acusações feitas a seu filho.

Outro movimento aconteceu entre os prefeitos do Progressistas que são candidatos à reeleição e que buscam o apoio do governador. Eles começaram a agir fortemente para que o partido buscasse o entendimento com Gladson.

No plano nacional, a direção do Progressista lavou as mãos, mas referendou a decisão do governador. No final da tarde veio a decisão. Gladson não só permaneceu no Progressistas. como assumiu o comando integral da legenda no estado. O Progressistas decidiu apoiar o governador e também a candidatura da prefeita Socorro Neri

Chapa

A situação é tão definitiva que eles chegaram a anunciar até que o ex-deputado Ney Amorim, ex-presidente da Assembleia e candidato bem votado ao senado em 2018, na capital, será o nome do Progressistas para vice na chapa de Socorro Neri. É uma jogada interessante que alia as conquistas administrativas da prefeita, sua boa colocação nas pesquisas, até agora, com a popularidade de Amorim em área fundamental da cidade, que é a baixada do Sol. A presença de Ney Amorim na chapa reforça ainda mais a candidatura de Socorro. Também outros partidos devem se aliar a essa nova proposta e ao grupo político que está sendo montado pelo governador. Entre eles o DEM, do deputado Alan Rick, que já ensaiava uma aproximação com a prefeita e a participação na estrutura da prefeitura. Também devem fazer parte o Solidariedade, o PROS e, com quase certeza, o Republicanos.

Desta forma o grande terremoto político que estava armado para acontecer foi de magnitude pequena e coroou o governador como o grande articulador político de uma nova realidade eleitoral.

Amarras

A posição de Gladson Cameli deixa o governador sem nenhuma amarra em sua administração. Ele bancou o jogo e saiu vitorioso. Seus adversários dentro do Progressistas foram vencidos, cooptados ou eliminados. O governador mostrou inegável força para definir os rumos que deseja dar a seu governo e à sucessão na capital, conforme sua vontade.  

Haverá consequências e, com certeza, não há mais lugar no Progressistas para a estrutura da Senadora Mailza Gomes. Ela, seu esposo James Gomes e o pastor Reginaldo não terão mais espaço e devem procurar outro caminho político. A candidatura da cunhada da senadora em Senador Guiomard corre risco. Tião Bocalom deve receber um cargo de consolação dentro do governo, na área de produção e travará esforços para uma possível candidatura em 2022. Outros setores do PP que participaram da trama contra o governador devem permanecer calados e, se ainda não embarcaram, acabarão apoiando a candidatura escolhida por Gladson Cameli.

Rumos

Os próximos dias trarão novas articulações e a definição de novos destinos políticos. Por exemplo, será preciso saber qual a opção do senador Sérgio Petecão e seu PSD. Até o último momento, ele era o esteio da candidatura de Bocalom e há quem sugira uma aliança do senador com o PSDB. Outros veem uma dobradinha com o MDB e ainda há quem sonhe em ver esses três partidos com uma candidatura única. Mesmo assim, continua o problema de quem vai renunciar a seus objetivos imediatos. PSDB e IMDB têm candidaturas lançadas à prefeitura da capital. O senador Petecão Indicaria a esposa Marfiza como vice de Bocalom.  A composição entre os partidos não é impossível de acontecer, mas exigirá sacrifícios dos três partidos e de suas lideranças. As conversas deverão ser intensas nos próximos dias. Também é preciso ver como fica a questão do PSL Mesmo com a adesão do vice-governador Rocha, o partido parece ser o primo pobre dessa discussão. O PSL, que chegou a indicar informalmente o Coronel Ulysses como possível vice de Minoru Kinpara está em posição pouco confortável. O futuro é incerto.

No dia da vitória política de Gladson Cameli, do reforço da candidatura da prefeita Socorro Neri em uma aliança forte, os adversários precisaram de um esforço ainda maior para voltar ao protagonismo.