As novas regras para investir no Estado

Cezar Negreiros

A diretora- executiva da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) Vera Reis aproveitou a ocasião, para fazer uma balanço das mudanças do Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre (ZEE/AC), em processo de revisão no Estado.

A Tribuna: Como ficou a revisão do Zoneamento Ecológico do Acre?

Vera Reis: O processo de revisão foi finalizado após ter sido submetido à consulta pública por mais de três meses, submetido aos diversos segmentos sociais através da Comissão Estadual do ZEE-CE-ZEE e agora ao Conselho de Meio Ambiente e Floresta – CEMAF.

A Tribuna: Quais as principais mudanças em relação à proposta anterior?

Vera Reis : Em função do processo de regularização fundiária no estado a extensão das zonas sofreram mudanças, especialmente a Zona 3, que é a zona prioritária para ordenamento territorial e que nesta revisão passa de aproximadamente 4.325.800 hectares para 2.030.800 com uma redução de 53%. A Zona 2 que contempla as áreas naturais protegidas (terras indígenas e unidades de conservação) passou de 49% para 51%, em função da criação de uma nova unidade de conservação no estado – a floresta do Afluente.

Além disso, o Governo do Estado, através da Sema, solicitou a adequação do ZEE, com vistas ao desenvolvimento do agronegócio de baixas emissões. Assim, estudos complementares para o zoneamento de risco pedoclimático e de risco climático foram iniciados e serão finalizados nos próximos meses, a fim de assegurar ao produtor o seguro agrícola para enfrentamento dos eventos climáticos extremos.

O zoneamento pedoclimático deverá produzir mapas em escala 1:250.000, os quais permitirão a análise por regional e por município, indicando a distribuição das terras desmatadas aptas, em termos de clima e solos nos diferentes níveis de manejo estabelecidos.

Os estudos podem contribuir para potencializar o agronegócio no Acre de culturas em consolidação ou consolidadas, a exemplo da banana, do café, do açaí, das estratégias de integração lavoura-pecuária, dos sistemas agroflorestais e dos sistemas integrados, com aumento de circulação de recursos financeiros oriundos de empréstimos bancários e de seguro agrícola.

A Tribuna: A sojacultura e o cultivo de milho tem ampliado a área no estado, quais os municípios que a agricultura consorciada pode se estabelecer?

Vera Reis: O milho é a segunda cultura temporária mais importante, depois da mandioca no Acre. Temos muitas áreas propícias a produção de soja, mas esta não é ainda uma cultura comum no estado, embora tenhamos áreas propícias com alto potencial para o desenvolvimento de sistemas de produção intensiva, dentro das Unidades Manejo estabelecidas neste novo estudo.

A Tribuna: O prefeito da capital promete transformar a zona rural na grande fronteira agrícola, o novo zooneamento ecológico poderá servir de ponto de referência para os novos investidores?

Vera Reis: As áreas com terras de melhor potencial agrícola, podendo ser utilizadas para mecanização sem maiores restrições e indicadas para produção intensiva de grãos são aquelas com relevo plano a suave ondulado, sem restrição de drenagem. Essas áreas ocupam cerca de 16,2% do território desmatado numa área de 384 mil hectares e estão concentradas no Baixo Acre Os municípios com maior potencial para produção intensiva de grãos no estado do Acre são Plácido de Castro, Acrelândia e Senador Guiomard.